Décio Noviello, um carnavalesco faz colorismos nas estrelas. - CARNA BH

domingo, 4 de agosto de 2019

Décio Noviello, um carnavalesco faz colorismos nas estrelas.

Morre aos 90 anos, o artista plástico Décio Noviello 

Na manhã do domingo, dia 28 de julho de 2019, em Belo Horizonte, o artista que  tinha 90 anos faleceu. Ele morreu em casa e velado na Funeral House, seu  sepultamento foi realizado às 16h da segunda feira no Cemitério do Bonfim.



Foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press

Natural de São Gonçalo do Sapucaí, Minas Gerais, nasceu em 1929, mudou-se para BH na década de 50 e aprendeu a arte da serigrafia,  na década de 60 já apresentava seus trabalhos em diversas galerias de arte pelo Brasil, na década de 70, criava seus cenários e figurinos para o teatro e na década de 80 criou fama  com suas decorações de carnaval na cidade  além de criar fantasias  e adereços para as escolas de samba de BH, dentre elas Canto da Alvorada e Cidade Jardim.Décio abandonou o exército e investiu  em seu talento nas artes. Transformou-se num multi artista de respeito. 

O carnaval de BH tem mais uma das muitas histórias pra contar, e nesta vejamos um pouco sobre a contribuição do artista e professor Décio Noviello, artista com um talento único e invejável, ele emprestou sua genialidade ao mundo das artes da pintura, esculturas e à produção do carnaval de Belo Horizonte por várias décadas e influenciando gerações.

Décio Noviello foi para BH assim como Joãozinho Trinta esteve para o Rio de Janeiro. Profissional fissionado e dedicado, ele desempenhou as atividades de  desenhista, cenógrafo, figurinista, gravurista, pintor e por ultimo e não menos importante carnavalesco, Décio Noviello foi por décadas um dos nomes mais  importantes da arte pop brasileira, como carnavalesco ele fez história no carnaval de Belo Horizonte e foi ídolo de uma geração de novos carnavalescos e artistas da cidade, sendo um deles o carnavalesco e cofundador da escola de Samba Acadêmicos de Venda Nova, Marco Aurélio Gonçalves que diz ter aprendido muito com a forma de ver o mundo do carnavalesco Décio. 

Décio não era entusiasta dos blocos de rua modernos, que arrastam multidões pelas ruas da cidade, ele não considerava a participação dos blocos como duradoura e produtiva para o carnaval, para ele os blocos são ações temporárias e que nada contribuem para criatividade da arte do carnaval, que para ele é diferente do que fazem as escolas de samba e blocos que garantem a tradição, a convivência entre pessoas, comunidade e aguça a criatividade para se montar o espetáculo através do enredo. 
Nos tempos áureos do carnaval em Belo Horizonte na década de 70 e 80 a prefeitura realizava contratações para decorar ruas e avenidas da cidade para as festas de carnaval como a Av. Afonso Pena, onde  aconteciam os principais desfiles das escolas  de samba e blocos caricatos. Em 1979, o artista plástico Décio Noviello atendeu aos convites da prefeitura para decorar a cidade para o carnaval, em 1983 realizou-se um concurso para eleger a melhor e mais bela  ornamentação  carnavalesca, Décio ganhou o prêmio do concurso e a notoriedade com o tema: Transamazônica – era um crítica feita ao “asfalto puro” da avenida, porque na época havia menos arborização que hoje na Av. Afonso Pena. 
Decoração da Av. Afonso Pena por Décio Noviello em 1983 - arquivo EM

De 1983 a 1988 Noviello criou uma harmonia entre as suas ornamentações  e foliões, estes intentos agradaram o público e  foram considerados anos mais luxuosos do carnaval de rua belo-horizontino, atraindo públicos das cidades vizinhas. As decorações de Décio Noviello era ponto atrativo no carnaval da capital. As pessoas vinham de todas as  partes ver a avenida decorada por ele e assistir  aos desfiles das agremiações carnavalescas. 

Décio em entrevista cedida a imprensa, sobre suas decorações carnavalescas relatou que eram lindas, mas não tinha nada decente para passar por baixo dela. Segundo ele as escolas de samba não tinham boa apresentação de seus foliões com fantasias decentes.


As Escolas de samba  vendo o talento e destaque do então artista plástico começaram a disputa-lo para contratá-lo para produção de seus desfiles, talvez este teria sido o carnavalesco mais disputado da cidade em todos os tempo da história do carnaval de Belo Horizonte, mas contratá-lo não foi coisa fácil,     escolas convocaram Décio mas na época sabendo das fragilidades das agremiações e do conservadorismo patriarcal das mesmas ele colocou suas condições de trabalho  para escola Cidade Jardim, relatou ele em entrevista a um  jornal local. “Um belo dia, uma pessoa da Cidade Jardim me procurou. Falei: ‘Olha, posso fazer o carnaval de vocês, mas só se todo mundo seguir o que eu mandar e vestir o que eu quiser. Se não for assim, não aceito”, sem muitas opções escola de samba  aceitou  tais condições. Dai surgiu o carnavalesco Décio Noviello por improviso e levou para escola o título de campeã  daquele ano,1984. 

 Escola de samba Cidade Jardim -  Bi campeã 1984 - enredo do carnavalesco Décio Novielo: Do Reino a Nova Terra

Décio como carnavalesco se deu pelo improviso. relatou ele: “Fiz umas roupas silkadas... .  Silk é só imprimir, facilitou muito. Botei nas fantasias umas golas e uns punhos laminados. Sabe o que era aquele papel brilhante que usei? Vinha do verso do saco de fermento – fermento para ração de gado, já viu? Do lado de dentro, a embalagem era toda prateada”, conta ele. “Sabe o que foi mais bonito? Na hora do desfile, aconteceu de dar uma chuvinha. As gotas por cima daquele material metalizado davam a impressão de que ele era todo bordado de lantejoula. Foi um sucesso danado. A Cidade Jardim ganhou o concurso daquele ano”, recordou ele em entrevista ao portal UAI em fevereiro de 2018.

Na escola de samba Canto da Alvorada  o Carnavalesco, coordenou os desfiles em: 1987 com o enredo" Sua Majestade o Samba"; em 1988 com  "Preto e Branco" e em 1990 com o enredo "Jequitinhonha", trazendo o título de campeã com todos enredos. 

Noviello relembra os tempos em que cortejos das escolas de samba eram o ponto alto do carnaval de BH. Diferentemente de hoje, ninguém queria saber de bloquinho. Décio nos conta como Belo Horizonte superava São Paulo em esplendor na avenida e que os “Paulistas", Eles não tinham nada. Nosso carnaval aqui era muito melhor. Lá só ficou bom depois que fizeram o sambódromo”, diz. “A prefeitura começou a botar dinheiro, ficou uma beleza. Vinham mestre-sala e porta-bandeira do Rio. Pra nós, dos bastidores, as coisas deram uma melhorada boa. O comércio passou a oferecer materiais adequados para adereços e fantasias, coisa que não tínhamos no início”, contou ele em entrevista ao portal UAI de notícias em fevereiro de 2018.

Quando Noviello iniciou-se como carnavalesco, faltava matéria-prima. “Não tinha nem cetim em Belo Horizonte. Quer dizer, até tinha, mas era assim: a gente precisava de 100 metros, eles tinham só 10 para vender. Depois melhorou demais”, relembrou ele ao UAI.

A escola de samba  Academia do Samba Império da Nova Era em 2010 teve como enredo a história e trajetória do artista contada, uma homenagem foi feita com um samba realizado pelo músico sambista Serginho Beagá. Abaixo segue o vídeo do samba enredo de 2010 em sua homenagem.



Escola de samba Academia do Samba Império da Nova Era- BH/MG 2010 





Décio foi um artista do colorismo   e buscava em suas expressões retratar o Brasil que vivia. Uma arte viva e contemporânea. 


Foto: Rafael Perpétuo/Divulgação- Jornal O Tempo


Granadas do exèrcito nas obras de Noviello, Décio -exposição da década de 1970, Do Corpo à Terra, que inaugurou o Palácio
https://criticadeartebh.com/2016/11/21/happening-com-fumaca-colorida/ 


Décio Noviello. Happening com fumaça colorida. Manifestação Do Corpo à Terra. Belo Horizonte, abril de 1970. A proposta de Noviello visava a apro­priar-se do ambiente com fumaça colorida, integrando a cor no espaço através do ritual, do jogo criativo e da festa. Esta criação de Décio teria sido sua grande revelação como artista contemporâneo e inovador da década de 70. Realizada com Granadas coloridas doadas ao artista pelo Exército que atendeu o pedido do artista para realizar a intervenção artística. 

Algumas de Suas telas.




 “Territórios – da cor à forma”, de Décio Noviello no Viaduto das Artes, no Barreiro. santaterezatem.com.br


As obras do Artista podem serem vistas em galerias e museus como: Instituto Inhotim, Museu Mineiro e Masp em São Paulo, dentre outros espaços.

Hoje a casa do artista no No Bairro Gutierrez  com os seus 600metros quadrados abriga um acervo imenso de seus trabalhos, moldes de resina, aquarelas edentre outros arquivos que marcam sua carreira desde o início no período de 40 anos.

Conheça um pouco mais do artista pelos videos abaixo 












Vai em Paz  artista das bombas de cores.
Para sempre Décio Noviello.

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