Bloco da Saudade de BH, Terra deu, Terra come. - CARNA BH

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Bloco da Saudade de BH, Terra deu, Terra come.

Bloco da Saudade,
terra deu, terra come.

Conheça um pouco da história do bloco que sai na quarta feira de cinzas nas ruas de BH.


arquivo: https://www.facebook.com/blocodasaudadebh/
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Sobre a surgimento do bloco, significa rememorar as atividades de cinema na rua que desde 2008, que acontecem na rua Arcos,750, Um iniciativa de GILSON REIS.
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Terra deu, terra come, Quincas berro d’água, Noiva cadáver, Vida de menina, animações da Mostra Múmia de curadoria de Savio Leite, além de outros filmes que ao longo destes 8 anos estimularam nosso olhar sobre a comunidade do entorno nosso entorno, a violência de gênero e raça, a desiguadade social e principalmente nosso objetivo: trazer com a sétima arte a formação de público que aprecie o cinema.
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A partir dai foram surgindo atividades que aglutinavam outros segmentos das artes. Logo na primeira exibição que inaugurada pelo filme Cinema Paradiso. Os jovens do graffiti foram convidados por meio do grafiteiro Rafael Boneco a ocuparem a rua com suas intervenções artísticas durante 3 dias na parede que seria o local para a primeira exibição. O grupo Meninas de Sinhá moradoras de bairro vizinho, foram também convidadas a se apresentarem com suas cantigas de roda, e finalizando com uma sessão de cinema.
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De lá para os dias atuais o grupo parceiro MPM (Movimento popular da mulher) esteve à frente das discussões entorno das questões da violência de gênero/raça, passando também a gerir as atividades que aconteciam na rua em concomitância com o cinema. Durante os eventos realizados nesta rua somente mulheres comercializam seus produtos: artesanatos, comidas, bebidas, etc. Dentro destas ações realizamos também a primeira festa junina e faremos a 6ª festa junina do Saudade agora em 2017.
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Após diversas atividades, demos nosso primeiro grito de carnaval há 3 anos atrás quando de repente surgiu o desejo de se criar um bloco de carnaval no bairro. Em conversas e bate papos durantes os anos que antecediam a existência do bloco com diversas pessoas do bairro fomos moldando as idéias para construir o tal bloco carnavalesco, após muitas leituras livros em que se contam as histórias do bairro, os causos, a adesão dos populares foi acontecendo de forma gradual. Acabamos comprando uma fanfarra simples e modesta com apoio do Núcleo de Mulheres do bairro Saudade (grupo formado no bairro paralelamente ao MPM) e começamos a coletar matérias sobre a história do bairro.

O cemitério é um espaço que se mostra forte o tempo todo no bairro e as histórias antigas que o permeiam bem como os contos, os “causos”. Em paralelo a isso  o grupo de teatro  “Teatro Público” realizou uma pesquisa e criou um espetáculo onde um defunto era perdido no caminho para o cemitério, e no desenrolar da história acabavam relembrando e contando histórias do tal defunto chamado de Zenóbio pelos bares do bairro. Este espetáculo acontece em forma de um cortejo pelo bairro, o que gerou uma vivência enorme no bairro sobre as questões da vida/morte/tristeza/alegria.

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Nesse panorama é que foi criado o bloco da Saudade, com a participação de um personagem que agora habita o imaginário do bairro, o Zenóbio, o grupo faz um pequeno cortejo acompanhando o bloco com diversos personagens da peça, o que vem para  fortalecer nosso contexto irreverente, mas cientes que devemos aprender a lidar este nosso vizinho que abriga o silencio, o místico, o real, o descanso eterno e o macabro, o bater as botas, abotoar o paletó de madeira, pendurar as chuteiras, esticar os cambitos, ir pras cucuias, estar no bico do corvo, estar com o pé na cova e o descanso eterno são os ingredientes que fascinam o Bloco Saudade.
Durante os ensaios, oficinas foram surgindo para confecção de instrumentos reciclados, customização de camisetas e pintura de rosto com a presença massiva de crianças e enorme número de mulheres na bateria do bloco.

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Outro ponto foi primordial na escolha do dia que o bloco sai: quarta-feira de cinzas, definido de forma uníssona pelos participantes e moradores do bairro. Assim seguimos construindo o repertório com a marcha fúnebre da quinta sinfonia Ludwig van Beethoven - a morte bate à porta do bairro com um cortejo de aproximadamente 250 pessoas seguindo a frente renomados instrumentistas de sopro. Com uma cuidadosa seleção das músicas que não passam pelo conteúdo homofóbico, excludente ou qualquer forma de violência de gênero e raça. O bloco da Saudade surge então a partir do cinema, da organização e luta das mulheres, da ressignificação do espaço onde vivemos, e da presença ilustre e imortal personagem: o cemitério da Saudade.
Esta é uma prévia da sua história.
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Texto: release do Bloco

Hino do Bloco da Saudade 

Compositor: Marcinho 

O carnaval não morre na terça-feira 2x 
Vem pro saudade ser feliz na quarta-feira 

Dona tristeza foi pro beleléu bateu as botas, esticou canela 
Vem pro saudade fazer a despedida regada a bebida não vai ter choro nem vela 
O cortejo vai seguir pelas ruas 
O mar de gente vai acompanhar 
Eu vou alegre vestindo preto e roxo 
Dona tristeza eu quero enterrar 

O carnaval não morre na terça-feira 2x 
Vem pro saudade ser feliz na quarta-feira

Esse desfile me enche de emoção 
O cemitério é o grande anfitrião 
Tem fantasia legal pra brincadeira pode ser fantasma, morto vivo ou caveira 
Em cada bar vai ter uma parada pra galera beber a tal finada e quando essa festa acabar 
Dona tristeza no saudade vai morar

 Faça contato com o bloco ou só chega faça sua maquiagem aterrorizante e embarque nesta estranha despedida de carnaval e faça a festa.
Tete Avelar: +55 31 9192-5142

https://www.facebook.com/blocodasaudadebh/


4 comentários:

  1. Por duas ou três vezes desfilei neste bloco e ele pega a gente quase morto,pois é o fechamento do carnaval e eu já estou quase um um Zumbi e aí é só acabar de tocar e esperar o outro ano. Serjão do Bloco Miolo Mole.

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  2. Este é o Bloco que deixa Saudade...Obrigada Leo de Jesus!!!!

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