A Escola de Samba A.R.E.S. Unidos Guaranis, cantará o enredo, "Pedreira Favela Encantada" no carnaval de 2019 em BH - CARNA BH

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

A Escola de Samba A.R.E.S. Unidos Guaranis, cantará o enredo, "Pedreira Favela Encantada" no carnaval de 2019 em BH

Associação Recreativa Escola de Samba Unidos Guaranis

apresenta para enredo do carnaval de 2019

"Pedreira  Favela encantada"




 Na presidência de Roldney Teodoro a agremiação  apresenta seu enredo para o carnaval de Belo Horizonte em 2019.

Histórico da Escola


Originária do bloco Índios Guaranis que desfilava para fazer divulgação dos produtos da Flora São Jorge, o bloco Índios Guaranis sagrou-se campeão nove vezes consecutivas . Em 1963 recebeu o convite da Secretaria de Turismo para se transformar em escola de samba , o que aconteceu em 1964. Em seu primeiro desfile como escola conquistou o segundo lugar dando início a sua trajetória de glórias.
A escola obteve a primeira colocação nos desfiles oficiais por quatro vezes: 1973 , 1975, 1978, 1979. Reconhecidamente a escola mais querida, tem como marca registrada a bateria, considerada a melhor da cidade, sambas enredos antológicos e uma fantástica ala de passistas onde os seus componentes são considerados os reis do samba no pé, várias vezes vencedores do concurso de cidadão e rainha do samba.
Bandeira da A.R.E.S. Unidos Guarany
A Unidos Guaranis foi fundada onde nasceu a primeira escola de samba da cidade, a lendária Pedreira Unida, fundada em 1937, por Popó e Chuchu. Teve como antecessoras as inesquecíveis, União Surpresa e Unidos da Colina. Por isto ostentamos com muito orgulho o fato de termos raízes no berço do samba de Belo Horizonte.
Nossa Escola tem em sua história alguns ressurgimentos, comprovação da nossa resistência e nossa regeneração natural. Em 2003 fomos nós os precursores do movimento que retomou os desfiles das Escolas de Samba que hoje completam 16 anos ininterruptos. Em 2019 nos apresentamos com uma nova direção, que se apresentam imbuídos da mesma energia que nos nutri e nos impulsiona na manutenção impar dos nossos valores basilares para escrever uma nova pagina na história do carnaval de Belo Horizonte.

Pedreira  Favela encantada

Fundamentação

 Primeira Favela do Brasil surgiu por volta de 1894, o presidente era Prudente de Morais, nosso primeiro presidente civil. O novo conjunto de moradias surgiu a parir de uma promessa do governo federal aos combatentes de canudos. O governo já tentara destruir canudos outras vezes, e sempre amargou em fracassos.
Então para convencer os soldados a lutarem ele prometeu moradias, se vitoriosos eles voltassem.  Canudos foi destruído em um dos maiores genocídios da nossa história. Os soltados voltaram ao Rio para receber o prometido pelo  governo. Então, o governo não cumpriu o prometido. Os soldados acamparam em frente a sede do governo e por lá ficaram vários dias causando um constrangimento enorme ao presidente Prudente de Morais.
Depois de muito tentar uma providência, o governo autorizou os renascentes das tropas que lutaram em Canudos, que se estalassem em um morro próximo,  que passou a ser chamado Morro da Providencia. Como vimos, a promessa governamental não foi cumprida a cabo. Sem ter como construir suas casas, os ex-combatentes se apossaram das madeiras já utilizadas em embalagens das cargas no cais do porto. Está madeira era extraída de uma arvore da região de dava favos, foi com esta madeira que os primeiros ocupantes do Morro da Providência construíram os primeiros barracos. Dai o nome seguiu para o Brasil a fora, denominando todos ajuntamentos de moradias  com as mesmas características. Estava criada a primeira Favela do Brasil.
Nos últimos tempos, temos ouvido de políticos ignorantes e a imprensa simpática denominarem  nosso lugar com coisas do tipo:  Aglomerado, comunidade, vila. Só para deixar claro, nenhuma destas nomenclaturas nos representa.
 Aglomerado, em sua forma simples, se refere a toda e qualquer coisa que se junta, se reúne ou se aglomera, Aglomerado. Vila vem do conjunto de habitações medievais europeias que ficavam do lado de fora das fortificações e seus castelos. Naquele tempo já não representava algo de bom o morador de Vila não tinha o direito de andar armado de espada ou faca, nem para se defender. E atualmente não mudou muita coisa o substantivo derivou outras palavras e nenhuma tem significado positivo, senão vejamos; vilão, vilania, por exemplo. As vilas foram implantadas no Brasil no século XVIII, mas a configuração em nada se aproxima das favelas brasileiras. Comunidade; comunidade tem origem latina, representa um grupos de indivíduos que compartilham e/ ou dividem: espaço, alimentos, religiões, hábitos e costumes.
As favelas são se contextualizam em verbetes; marginalizadas, perseguidas e combatidas, resistiram. Reverteram e contradisseram as lógicas sócias, contribuíram consideravelmente com a sociedade brasileira. Das favelas nasceram gêneros musicais e seus dançarinos, a cultura favelada significa um expoente que eleva ao infinito o contexto cultural brasileiro.
Segundo Clovis Salgado, renomado politico mineiro, “A emancipação cultural é o marco final de todo um processo de um povo que marcha rumo a liberdade”. A contribuição das formas culturais originadas das favelas, são marcas indeléveis na construção no mosaico cultural brasileiro.

Velha Guarda do Samba de  Unidos do Guaranis - arquivo Associação Cultural  Odum orixás
 

Apresentação da Velha guarda da Feira cultural Formigueiro Cultural na sede da Associação Cultural Odum Orixás  em 2018


Em Belo Horizonte

Na Capital mineira as favelas surgem simultaneamente com o surgimento da cidade. As populações que vieram para construir a nova capital habitavam precariamente os alojamentos improvisados em canteiros de obras. Com o escaneamento das obras os acampamentos foram desativados.
A pedreira Prado Lopes foi uma área de exploração de matéria prima, especificamente granito, para a construção da capital dos mineiros. A existência das Pedreiras, sim Pedreiras,  eram pelo menos quadro próximas a  área Cidade de Minas. Foi um dos motivos que favoreceram nossa região na preferencia da comissão construtora. Ou seja, se não fosse a fartura do material amplamente usado para calçamento de vias publicas, poderíamos ter a capital dos mineiros em outra região do estado.
O Granito daqui retirado, também foi usado na arte da cantaria, técnica quase desaparecida em nossos tempos.  Depois de exaurido o material da chamada Pedreira da Viação   a área foi abandonada e ocupada por trabalhadores remanescentes dos alojamentos, mas buscavam uma moradia próxima aos canteiros de obras. O lugar herdou o nome de Antônio Prado Lopes, um engenheiro de segunda classe da comissão construtora da cidade que foi autorizado a extrair granito e fornecer para a obra.  
A bem da verdade, a Pedreira não foi a primeira favela da cidade, mas hoje é a mais a antiga. A primeira favela de Belo Horizonte ficava atrás da estação ferroviária onde hoje temos a rua Sapucaí. O lugar era abrigo de trabalhadores e gente honesta, mas dava muito trabalho para Aristides Maia. Um negro republicano encarregado da manutenção da ordem, da segurança e dos bons costumes da população belorizontina.

              O Homem como produto do meio.

O ser humano em sua infinita resiliência se reveste de habilidades para superar as dificuldades oferecidas pelo ambiente que está inserido. Então, o ambiente das favelas criaram durante todos estes anos um tipo de cidadão diferente, cidadania sim. As favelas são as trincheiras da cidadania. O favelado marginalizado pela sociedade se agarrou a tudo que lhe estava ao alcance  assegurar sua cidadania. Em Belo Horizonte atualmente somos 226 favelas, segundo números oficiais.
     Diante do inóspito, os pedreirenses criaram sua própria cultura, seu próprio linguajar, sua própria vestimenta, sua musica e seu jeito de andar.  Em ser pedreirense existe uma satisfação que os de fora desconhecem, o tipo fuleiro que sobe e desce o morro a toda hora, e tem passagem livre por toda a cidade.
Ao olharmos uma favela a noite, vemos milhares de luzes, e as vezes esquecemos que estas milhares de luzes também nos olha. Impossível mesurar tantas vidas atrás de cada luz. A pedreira foi uma solução que os primeiros moradores criaram por não ter o escolha, hoje ser morador da Pedreira é opção de cerca de 8.000 pessoas. Pessoas que trabalham nos mais diversos segmentos pela cidade a fora e depois de um dia inteiro de labuta voltam pros seus barracos,  que nos chamamos de lar.
O pedreirense é o resultado da simbiose com seu mundo, um enfrentamento constante, um antropofagíssimo que beira o infinito. O pedreirense atual é multifacetado, traz nuances de tudo que o cerca, convive com os mais diferentes credos, escuta, toca e dança os mais variados ritmos. Mas o que mais lhe representa é o samba, o que difere o samba de outros ritmos explorados pelos Pedreirenses é que em Belo horizonte, os dois tiveram o mesmo berço, a pedreira.
A Pedreira tem uma história que seus moradores desconhece e a cidade se esquece.  Com raras exceções encontraremos  alguns munícipes que possam testemunhar a este respeito,  em 1937, dois moradores da pedreira fundaram a primeira escola de samba da cidade. E o samba tem feito parte da vida de gerações inteiras, dentro e fora da pedreira. Coisa mais banal é em um beco, ou um barraco e ate mesmo num destes botecos ver uma criança sambando. Mas como assim, quem ensinou esta criança a sambar? Ninguém ensina, vem no DNA.
Estes trabalhadores anônimos, estudantes desconhecidos, sambistas renomados, professores, flanelinhas e afins. Passistas, ritmistas, Baianas, figurantes, maiorais, gente brasileira. Que encontra satisfação e felicidade nos momentos mais improváveis e em lugares mais difíceis. Chico Buarque, em sua Opera do Malandro, afirma” O malandro é o barão da ralé”, este é o nosso mundo. Aqui não há espaço para amadores, vivemos e sobrevivemos na corda bamba. Extraímos  nossa essência  de elementos e situações que outras comunidades sequer sabem que existe, o que julgam  efêmero nossa dá vida, o que chamam de favela é o nosso lar. Somos Favelados.
O samba se confunde com a nossa existência: Somos o que somos, imagem fidedigna do nosso lugar, que por sua vez reflete tudo aquilo que fizemos dele deste que plantamos nele o primeiro barraco, e damos à este ser e este lugar uma trilha sonora com surdo, cuíca, pandeiro e tamborim. Tudo sob a ação do tempo, lá se vão 88 anos, cobrimos as pedras de barracos e enchemos os barracos de gente. Pedreira e Pedreirense; criador e criatura em uma alternância de posições sem fim. O encanto,  acontece incessantemente, revelando a magia pra quem sabe olhar.

Conheça a sinopse 

Sinopse

O enredo da Unidos Guaranis vem falar da Favela e do Favelado, da pedreira e dos pedreirenses, deste sentimento simbiótico que une criador e criatura. A Favela da pedreira vem reivindicar as nuances de seu caráter, que a constitui. E afastar pseudos favorecimentos de nomenclaturas simpáticas como: Comunidade, Vila, aglomerado, que por terem fundamentos maquiadores, inibem os pilares de sustentação da nossa identidade.
 Difícil externar a dimensão do sentimento de ser favelado e pedreirense. É um jeito de ser e de viver que exala liberdade, entre as favelas belorizontinas a pedreira tem suas pecularidades. A Pedreira tem várias representatividades, temos nosso jornal, nossos times de futebol, nossa própria dança de salão, nossas escolas de samba e nossas escolas regulares.
A Pedreira é uma Favela por excelência, que provoca um bairrismo desmedido em seus moradores. Este sentimento positivo não esconde as macelas  que nos afligem, elas fazem parte de toda e qualquer favela, o que nós temos talvez , são algumas alternativas que contrabalanceiam e equilibram nosso cotidiano. 
Hoje cantaremos nosso sentimento pela  pedreira , ousaremos  tentar o inatingível , revelar o inimaginável, mostrar o invisível e dizer o indizível. Antecipadamente apresentamos nossas escusas, penetramos  agora em um universo inusitado , nos atreveremos a compor um samba que em poucas linhas e versos, materialize  o orgulho e o prazer de seremos Pedreirenses.

                 Textos acima de Mário César Almeida - Diretor de carnaval da agremiação

                   Já podem ir treinado o samba enredo 

O Samba Enredo :Pedreira  Favela encantada
Compositores: Mário César- letra.  
Música: Carlão do cavaco

Lá, Lá, Laia
Lá, Lá, Laia
Lá, Lá
Láia, Láiaaa
       
                        Lá, Lá, Laia
Lá, Lá, Laia
Lá, Lá
Láia, Láiaaa

Só quem é da Pedreira
Lá, Lá, Laia
Como é que é
A vida por láaaa

Só quem é da Pedreira
Lá, Lá, Laia
Como é que é
A vida por láaaa

Quem sobe o morro
E desce a ladeira
Ainda Batalha na segunda feira

Pedreira
 Escola deonde o samba fez abrigo
Que encara a vida de frente
Não corre Perigo

No meio de tanto contrate uma escola de samba
Que vive e mostra ao mundo que é gente bamba

Pedreira
Reconheço sua nobreza
O mundo do samba já tem a sua realeza

Em versos não da falar
A magia daquele lugar
Só que sabe, quem é da Pedreira
Que pode falar

Só que sabe, quem é da Pedreira
Que pode falar
Lá, Lá, Laia

Lá, Lá, Laia Só que sabe, quem é da Pedreira
Que pode falar
Lá, Lá, Laia
Lá, Lá, Laia


Associação Recreativa Escola de Samba Unidos Guaranis 
C.N.PJ. 21.854.526/0001-09
Sede: Avenida Antônio Carlos, 1548 São Cristóvão Belo Horizonte  Minas Gerais


Quer saber mais da escola e  desfilar? 
Faça contato com a escola:  31 99514-4961

 O blog CARNA BH deseja toda sorte ao retorno ao carnaval da cidade desta grande escola. 
Agradecemos a disponibilidade e que façamos o melhor carnaval do Brasil.

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