Homenagem ao Centenário do Samba, Mestre Conga, Aline Calisto, Doris e Fabinho do Terreiro - CARNA BH

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Homenagem ao Centenário do Samba, Mestre Conga, Aline Calisto, Doris e Fabinho do Terreiro

                
Homenagem ao Centenário do Samba

Foto da esquerda para a direita: Mestre Conga, Doris e Fabinho do Terreiro


A Câmara Municipal, por meio do vereador Arnaldo Godoy (PT), realiza, na segunda-feira, 12 de junho, às 19h, reunião especial alusiva ao centenário do samba. “Junto com outras manifestações de africanos escravizados, o batuque simboliza o resgate, a autoafirmação e resistência do povo negro na nova terra. Há um século, já batizado de samba, transformou-se na identidade cultural que une todo um país”, justificou. “Lembrando dos bons versos de Armando Fernandes, o mamão, sambista de Juiz de Fora eternizado na voz de Clara Nunes: molhei o pano da cuíca com as minhas lágimas; dei meu tempo de espera para a marcação e cantei”, completou.

Para marcar o samba mineiro, quatro figuras significativas, de diferentes gerações e origens, serão homenageadas: Dóris do Samba, Aline Calixto, Fabinho do Terreiro e Mestre Conga, de 90 anos, pioneiro do samba-enredo e um dos fundadores da Escola de Samba Inconfidência Mineira, em 1950.

Há muito o vereador reconhece o trabalho, entre as pessoas que contribuem para construir a identidade afetiva da cidade, de ativistas empenhados na promoção da igualdade racial, nas mais diversas áreas: na cultura, Mestre Conga, Tizumba, Tambolelê e Mozart do choro; nas políticas sociais, Nilma Lino Gomes, Macaé Evaristo e Marcos Cardoso; e na religião, com o recente reconhecimento às nações de religiosidade de matriz africana, representadas por dezenas de centros de Umbanda, Candomblé (Jêje. Angola e Ketu) e Omolocô, evento em parceria do Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira (Cenarab).

Na atuação legislativa, Godoy realizou, em consonância com a Câmara Federal, uma audiência pública para analisar o genocídio da juventude negra em BH (2015), que gerou uma Comissão Especial, da qual é presidente. Durante todo este ano, essa comissão envolverá universidades e instituições para elaborar um relatório com dados específicos de BH.

Recentemente, a Assembleia Geral da ONU proclamou a “Década Internacional de Afrodescendentes” (2015-2024), quando Estados-membros, sociedade civil e outros atores relevantes deverão tomar medidas eficazes para a implementação do programa de atividades que promovam sua plena inclusão dos afrodescendentes, o combate ao racismo, à discriminação racial, à xenofobia e à intolerância.

Perfil dos homenageados




Aline Calixto nasceu no Rio de Janeiro, mas veio para BH aos seis anos. Estudou em Viçosa, onde ficou famosa por comandar rodas de samba no tradicional Bar Leão. De volta a BH, aumentou sua popularidade ao convidar para o palco Monarco, Nélson Sargento e Luís Carlos da Vila, durante uma temporada de shows. Mas foi no Rio de Janeiro que a cantora se consagrou, vencendo o concurso “Novos Bambas no Velho Samba” (2007), trampolim para a gravação de seu primeiro disco, intitulado “Aline Calixto”, agraciado como melhor disco do ano, pela Associação Paulista dos Críticos de Arte. Lançou recentemente seu terceiro trabalho, “Meu Ziriguidum", com produção assinada por Paulão Sete Cordas e Thiago Delegado e participações especiais de Zeca Pagodinho,  Arlindo Cruz e do rapper Emicida. Desde 2011, Aline Calixto divulga seu trabalho em turnês internacionais.


Elzelina Dóris dos Santos nasceu em BH. É formada em Ciências Contábeis, além de pesquisadora e educadora. No palco desde 1997, Dóris sempre revela intensidade nas suas interpretações, principalmente se o samba denuncia injustiças, exalta a resistência e afirma a memória e identidade do povo negro. O samba se fez presente na sua adolescência. Foi através dele que Dóris obteve respostas aos porquês da discriminação que sofreu. “É ele que embala os sonhos e a vida, herança que nosso povo negro nos deixou. Meu propósito maior é contribuir com a divulgação e valorização da nossa história, nossa cultura, nossa música, com respeito, sinceridade e carinho”, disse. Dóris é autora do projeto “cantando a História do samba”, que articula conhecimento, história e a importância da cultura afro-brasileira e de matriz africana em nossa identidade étnica e racial. Foram centenas de oficinas, em escolas, comunidades e centros culturais, atendo mais de 11 mil alunos.


Nascido e criado na Zona Leste de BH (1964), Fabinho do Terreiro é famoso por sambas que ganharam voz em alguns dos mais importantes intérpretes brasileiros, como Agepê, Almir Guineto, Zeca Pagodinho, Leci Brandão, Aline Calixto e outros bambas. Fábio Lúcio Maciel ganhou o apelido por frequentar, ainda criança, as rodas de samba que as tias faziam aos domingos. Compõe também para as escolas de samba de BH e é conhecido por sua autenticidade no samba de roda, samba de terreiro e no verso de improviso. Gravou um DVD em 2010 em que reverencia tanto os parceiros quanto autores que o levaram a se tornar músico. Mas, entre os mestres, destaca Candeia: “Quando ouvi Dia de graça, senti orgulho de ser negro. Foi assim que passei a só fazer samba”, revela Fabinho.


A história de José Luiz Lourenço, o Mestre Conga mistura-se com a história do Samba de Belo Horizonte. Nascido em Ponte Nova (1927), um dos dez filhos do lavrador e sanfoneiro Luiz Balduíno Gonzaga e dona Cacilda Lourenço, mudou-se para a BH com seis anos, para morar na Vila Brasilina, hoje Sagrada Família. Ganhou o apelido por sua participação na Guarda de Congado de Nossa Senhora do Rosário e é o responsável pela inserção do samba-enredo nos carnavais da cidade, como um dos fundadores do Grêmio Recreativo Escola de Samba Inconfidência Mineira, em 1950. Foi tema de um documentário e é vocalista da "Velha Guarda do Samba de MG". Lançou seu primeiro disco em 2010, “Decantando Em Sambas". O aluno da vida e mestre na arte de viver sua música é um convite conhecer um pouco da história do carnaval e a luta pela permanência da festa mais popular do país.

Texto cedido para postagem.

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