RACISMO NO CARNAVAL DE BH 2017, BLOCO DE RUA ARRASTA FAVELA DA VILA ANTENA NO MORRO DAS PEDRAS SOFRE AÇÃO POLICIAL DA PM - CARNA BH

sexta-feira, 3 de março de 2017

RACISMO NO CARNAVAL DE BH 2017, BLOCO DE RUA ARRASTA FAVELA DA VILA ANTENA NO MORRO DAS PEDRAS SOFRE AÇÃO POLICIAL DA PM

SOMOS TODOS BECO


BLOCO DE RUA ARRASTA FAVELA DA VILA ANTENA  SOFRE AÇÃO DE RACISMO NO CARNAVAL DE 2017 EM BH



O Carna BH, surge também com forma de levantar todas e as bandeiras contra o racismo, homofobia, intolerância religiosa, dentre diversas ações criminosas contra o direito de ir e vir e agir das pessoas na sociedade. 
Infelizmente o nosso carnaval em BH ficou marcado em 2017 por esta grande ação discriminativa com nossa população negra e  favelada que também tem o direito de se manifestar da forma que lhe convier , como todos outros blocos de rua que a cidade possui. 
Todas as licenças e precauções junto a Belotur, orgão organizador dos eventos de carnaval na cidade, foram tomadas para a saída do bloco na comunidade Vila Antena  em BH, quando houve uma abordagem  policial sem  razão alguma segundo organizadores,  levando  uma das organizadoras do evento em reclusão policial por horas. 

Vanessa Beco uma das lideranças Politicas e Culturais de Belo Horizonte, foi coibida e levada presa  pelos policiais militares após suspeitar da idoneidade da ativista negra e mulher a se identificar, mesmo esta tendo se identificado como organizadora do bloco. 

 O Carna BH se manifesta contra ação preconceituosa da PM  ocorrida contra o bloco e contra a Ativista. 

Somos todos por BECO
   
VEJA NOS LINKS ABAIXO A AÇÃO SOFRIDA  PELA ATIVISTA NEGRA VANESSA BECO

https://globoplay.globo.com/v/5690790/?utm_source=facebook&utm_medium=share-bar

http://bhaz.com.br/2017/03/01/ativista-presa-policia-militar/

https://www.facebook.com/vanessa.beco?fref=ts


Compartilhando matéria de repúdio publicado pelos organizadores do evento Bloco Arrasta Favela






NOTA DE REPÚDIO E ENEGRECIMENTO

Este compartilhamento é real e necessário!
Tome cuidado para não reproduzir a narrativa do opressor! Se negar a apresentar a identidade é “o perigo de uma história única” que as elites simbólicas e a PMMG querem FORJAR para a Vanessa Beco, ela se negou a ser equivocadamente identificada como mais uma responsável pelo Bloco Arrasta Bloco de Favela e esse pequeno detalhe desmascara toda a versão deles!! Por dois motivos, primeiro porque foi nítido que eles estavam tentando obstruir a continuidade da montagem e não tínhamos tempo a perder. Segundo, porque já tinha falado seu primeiro nome e eles estavam a chamando pelo nome, ainda não havia necessidade de um segundo responsável.
O Bloco Arrasta Bloco de Favela é um bloco periférico de maioria negra que surge da emergência de valorização de afrodescendentes e reconhecimento do comando vital tendo como linha de frente desse comando Vanessa Beco, uma de nossas matriarcas. Tentaram nos destruir, agora mais do que nunca, unidos estamos, prontos para acolher interseccionalmente aos que decidiram não se curvar na vida!Durante o carnaval de 2017 o bloco desenvolveu oito dias de pré carnaval e durante seis dias o período carnavalesco oficial, promovendo acesso ao patrimônio material e imaterial da cultura no seu sentido mais amplo. As atividades carnavalescas mobilizaram mestres populares, Griot´s, guardiãs dos saberes, lideranças e arte educadoras da RMBH na Vila Antena localizada no Aglomerado Morro das Pedras. No dia 01/03/2017 o Bloco Arrasta Bloco de Favela se preparava para o seu sexto dia de bens culturais, oficinas e atividades que encerrariam a confraternização junto à comunidade em uma Ressaca de Carnaval. Esta ação, que concatenaria um longo trabalho já executado nas favelas da RMBH esteve devidamente reconhecida pela organização oficial do carnaval de Belo Horizonte 2017.
Por volta das 09:30 da manhã montávamos a estrutura do bloco quando a Polícia Militar chegou no local tentando deslegitimar nosso evento solicitando ALVARÁ físico. Álvaro Zulú, organizador do bloco informou aos policiais que o que acontecia ali era um evento de carnaval de um bloco legalmente cadastrado e que nenhum bloco tinha ALVARÁ, pois, a autorização foi concretizada num processo simplificado, mas eles fizeram questão de não aceitar o que foi dito. Os policiais nitidamente obstruindo a continuidade dos trabalhos e repetitivamente questionando nossa presença no local, já sabiam o primeiro nome do organizador e da Vanessa Beco nosso comando vital, Mobilizadora do Bloco Arrasta ali presentes. A partir do momento que identificamos o racismo institucional e que o ocorrido era uma conduta específica com a favela, começamos a questionar sobre a abordagem errônea que eles estavam fazendo. Eles então solicitaram os dados do organizador do bloco, e todos os dados solicitados foram passados. Em momento algum fizeram contato com o comando da PM ou com a Belotur para verificar as informações, apenas permaneceram com ameaças de que não poderíamos exercer nosso direito, estar e permanecer naquele local. Vanessa Beco começou a fazer questionamentos aos policiais e eles então de forma abrupta ameaçaram prende-la caso ela não se identificasse como organizadora do evento, ela já tinha se identificado, entretanto já havia tanto tempo que eles interrompiam a continuidade do Bloco Arrasta Bloco de Favela que só lembravam o primeiro nome da Vanessa. A partir daí, com a voz de prisão já deflagrada arbitrariamente os policiais forjaram a situação toda para Vanessa. Ela e todos os integrantes do bloco ali presentes disseram que se ela tivesse que se identificar os policiais então teriam que pegar a identificação de todos. Nesse momento o bloco deixou de existir e a questão passou a ser pessoal com a única pessoa que havia questionado francamente a restrição de direitos humanos e constitucionais a polícia, questionado a interrupção da montagem e a truculência como foi feita a abordagem. Um dos policiais então falou em auto e violento tom: “estamos perdendo a paciência com ocê”. A partir desse momento Vanessa Beco se defendeu dizendo em voz alta para todos os moradores que estavam ali presentes: Escutem bem o que esse policial está dizendo, primeiro me chamou de senhora, depois me chamou de você, agora me chamou de oçê e esta dizendo que não têm mais paciência comigo e que vai descer comigo para a delegacia em flagrante. Flagrante do que e por quê? Questionou.
O companheiro Leonardo Silva (Leo Dovalho) do bairro Alto Vera Cruz, Conselheiro de Cultura chegou depois devido a parceria com o Bloco, filmou uma parte para dar suporte audiovisual ao evento e, por conseguinte filmou também a parte da abordagem dos policiais, novamente eles disseram que estavam perdendo a paciência e então da mesma forma truculenta como deram voz de prisão ao comando vital, tomaram grosseiramente o celular do Leo. Precisamos enfatizar que havia uma emissora de televisão que desde o inicio da montagem (bem antes do Leo chegar) já filmava tudo, se a apreensão do celular fosse realmente para servir como prova, o correto seria a apreensão da filmagem de todo o contexto que estava contida na câmera da emissora de televisão, então porque apreender somente o celular do companheiro Leo? Todos os presentes começaram protestar, diante do rito sumário e vexatório que a PM agia ali e age cotidianamente nas favelas do Brasil. Os policiais então depois de muito tempo obstruindo a sequência dos trabalhos no local ligaram para pedir mais viaturas para amedrontrar à comunidade, os algozes capitães do mato nesse momento demonstraram medo e tentaram calar nossa resistência. Vanessa Beco e o celular foram injustamente para a Delegacia mais longe existente, de Flagrantes do Barreiro, novamente de forma equivocada, ação que se transformou em uma “via crucis”, pois todo camburão tem muito de navio negreiro.
Mobilizamos-nos com todas as parcerias para irmos à porta da delegacia, e mesmo depois de reconhecerem vários dos equívocos e da presença de duas advogadas, mantiveram Vanessa Beco e o celular de Leo Dovalho detido por horas alegando poder liberar só na presença do delegado que estava almoçando.
Em seguida, nitidamente reprimindo a presença de parte do bloco e parceiros ativistas presentes na porta da delegacia, os próprios algozes conduziram novamente Vanessa Beco para outra delegacia na região do Padre Eustáquio, porém dessa vez sem a presença da advoga ou qualquer outra pessoa ao lado dela dentro da viatura. Lembramos aqui da infame tragédia ocorrida com a companheira Cláudia Silva arrastada pelo aparato opressor do Estado no Rio de Janeiro, agora aqui vamos nós, povo negro novamente sendo morto e arrastado no epstemicídio.
O boletim de ocorrência já no final do dia foi feito, um dos policiais presentes informou ao delegado que em momento nenhum Vanessa Beco ou qualquer pessoa ali presente desacatou a polícia. O celular foi entregue, porém constatamos que os policiais tentaram formatar o aparelho e saíram sorrindo do Juizado Especial Criminal.
Vanessa Beco foi liberada no final do dia!! Sem se alimentar e extremamente violada em seus direitos e dignidade. Bloco Arrasta Bloco de Favela agora pergunta, foi só com ela ou com todo povo favelado, quilombos urbanos?!
Depois de toda a repercussão a polícia militar mentiu para as mídias dizendo que nos abordaram pelo fato de estarmos montando tendas, forjaram a desobediência, quando na verdade, não havia mais necessidade de outro responsável pela organização e retiveram nosso comando vital em uma bizarra articulação entre os aparatos opressores do Estado para tentarem legitimar uma ação de violação dos direitos interseccionais da coletividade em uma miríade sumária.
Em momento algum durante a abordagem desnecessária eles nos questionaram sobre as tendas, e mesmo que houvesse qualquer questionamento, estávamos em acordo com a regulamentação de estrutura aceita para os blocos de carnaval.
O Bloco Arrasta Bloco de Favela REPUDIA e RESISTE à ação e conduta FACISTA da Policia Militar de Minas Gerais ocorrida contra nós integrantes e moradores da Vila Antena no Aglomerado Morro das Pedras no dia 01/03/2017.
Esse foi mais um caso de RACISMO e DISCRIMINAÇÃO institucional em que o aparato opressor do sistema tentou deslegitimar uma ação legal do povo e trabalhamos para reverter isso em união e empatia.
Nós negras e negros periféricos, (re) existimos e seguiremos em luta com o lema do Bloco Arrasta Bloco de Favela, a valorização e respeito de nosso COMANDO VITAL e PAZ, JUSTIÇA E LIBERDADE!
A favela é QUILOMBO que não se cala frente a qualquer tipo de violência.
Toda solidariedade a nossa matriarca Vanessa Beco!
Axé.




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