GRES - Unidos do Arco Íris - CARNA BH

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

GRES - Unidos do Arco Íris

Criada em setembro, Unidos do Arco Íris é a primeira do público GLS no Brasil e vai desfilar no próximo dia 7.
Belo Horizonte tenta atrair folião com escola gay
THIAGO GUIMARÃES

DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE

O Carnaval em Belo Horizonte quase sempre é sinônimo de cidade vazia -somente pela rodoviária, 110 mil pessoas deixam o município. Neste ano, no entanto, uma novidade no desfile das escolas de samba pretende reverter o êxodo de foliões.

Criada em setembro, a Unidos do Arco Íris é a primeira escola de samba gay do Brasil. Ou, pelo menos, é como vem sendo tratada, com festa, em sites e publicações GLS pelo país.

O convite para a criação da escola veio da Liac (Liga Independente das Agremiações Carnavalescas de Minas Gerais). "Estávamos estudando o que poderia motivar o Carnaval de Belo Horizonte e resolvemos apoiar esse nicho de mercado", afirmou o presidente da Liac, Carlos Eugênio Demétrio, 34.

Quem assumiu a tarefa de estruturar a Unidos do Arco Íris foi o publicitário e militante gay Osmar Rezende, 50. "Deram dois meses e meio para a gente montar uma escola", disse.

De forma meio mambembe, a Unidos do Arco Íris -referência ao símbolo internacional do movimento gay- foi saindo do papel. Enquanto divulgava a proposta em casas e publicações voltadas ao público GLS, Rezende negociava com a prefeitura da capital mineira a cessão de um espaço para a escola, o que acabou não ocorrendo.

Sem uma sede, as atividades da escola ficaram dispersas. Fantasias e adereços, por exemplo, estão sendo produzidos em casas de costureiras e voluntários. O apartamento de Rezende, no centro de Belo Horizonte, tornou-se o QG da agremiação.

Para organizar o desfile, cada uma das dez escolas recebeu R$ 10 mil. "Estamos fazendo milagre com esse dinheiro", disse Rezende. As escolas deverão apresentar um desfile com pelo menos 300 integrantes, 40 ritmistas e um carro alegórico.

Na passarela da via 240, a Unidos do Arco Íris apresentará o samba-enredo "Nas Cores", eleito em um concurso público realizado em dezembro. A letra passa pela história do movimento gay no mundo, cita a cidade de Juiz de Fora -pólo gay mineiro- e termina com menções ao filme "O Mágico de Oz" (1939), ícone da mitologia gay.

Integrantes de outras escolas e blocos carnavalescos ajudarão a botar a Unidos do Arco Íris na avenida. O casal de porta-estandarte e mestre-sala, além da bateria, foi cedido pelo bloco Inocentes de Santa Tereza. As fantasias das baianas, ala que contará com mães de gays, são da escola Bem-te-vi.

A drag queen Aisla Pirv, 24, foi eleita a rainha da bateria da escola, em concorrida disputa realizada em uma boate GLS de Belo Horizonte. "Estou animadíssima", afirmou.

O único carro alegórico da escola -cujo conteúdo está sendo mantido em segredo -começou a ser construído na última quinta-feira.

Rezende afirma que ser gay não é requisito para entrar na escola. "A escola está aberta a toda orientação sexual", diz. Mas ressalva: "Tem de ser, pelo menos, simpático à causa." O desfile está marcado para o dia 7 de fevereiro, às 22h.

fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2301200527.htm

NOTICIÁRIOS

Novamente, Unidos do Arco-Íris não vai desfilar

Às vésperas do Carnaval, primeira escola de samba GLS do país reclama da falta de incentivo; enquanto isso, SP ganha agremiação quase homônima

Às vésperas do Carnaval, primeira escola de samba GLS do país reclama da falta de incentivo; enquanto isso, SP ganha agremiação quase homônima

PUBLICADO EM 25/01/08 - 19h37

DOUGLAS RESENDE

No Carnaval de 2005, Belo Horizonte virou o centro das atenções ao se tornar a primeira cidade do Brasil a ter uma escola de samba GLS desfilando na avenida - o Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos do Arco-Íris, que reuniu 25 mil pessoas no seu desfile. Depois daquele primeiro Carnaval, no entanto, a Unidos do Arco-Íris não voltou mais à passarela da Via 240, no bairro Aarão Reis. 

Enquanto as fantasias da agremiação belo-horizontina ficam guardadas na gaveta, foi fundado, em São Paulo, às vésperas do Carnaval de 2008, o Grêmio Recreativo Cultural e Escola de Samba Arco-Íris, em uma festa que aconteceu ontem na capital paulista, tornando-se a escola GLS em destaque no momento. Com a criação da escola paulistana, volta a pergunta: por que, depois de abrir os caminhos para a inclusão de escolas GLS nos desfiles de Carnaval ao longo do país, a Unidos do Arco-Íris caiu no ostracismo e está ameaçada pelo esquecimento? 

O presidente da escola, Osmar Rezende, diz que o problema é a falta de interesse e incentivo da Belotur, que não soube valorizar o pioneirismo do Carnaval de Belo Horizonte. "Quando a Liga das Agremiações de Minas nos procurou (as ONG’s GLS Libertos e Rainbow), pedindo que montássemos uma escola de samba GLS, a intenção era salvar o Carnaval de Belo Horizonte, que já estava morto", rememora Osmar. "O Brasil inteiro reconheceu a iniciativa. Hoje, isso já acontece no Rio e em São Paulo, mas fomos os pioneiros. No entanto, aqui ninguém percebeu esse pioneirismo", lamenta Osmar. "A Belotur perdeu esse gancho. O que prevaleceu foi uma mentalidade bovino-bancária de quem não percebe que estamos numa metrópole". 

A Belotur argumenta, por meio de sua assessoria de comunicação, que "todas as escolas sobrevivem pelas próprias pernas" e que a Belotur dá apenas um "auxílio financeiro", que este ano foi de R$ 10 mil, para todas as agremiações. 

Da quadra da Escola de Samba Arco-Íris, em São Paulo, onde acontecia a festa de inauguração, o presidente Eduardo Corrêa contou ao Magazine que sua escola tem planos de buscar formas alternativas de angariar receita e garantir sobrevida. "Vamos usar a quadra da escola como um veículo de comunicação para empresas privadas que se interessam no público freqüentador. Teremos atividades todo final de semana, em áreas diversas - arte, cultura, educação, saúde - e, para as empresas que tiverem interesse no público GLS, vamos servir como um espaço de marketing", diz Corrêa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário